Quando questionado numa entrevista, sobre qual era o maior problema da sociedade contemporânea, o Mestre Budista Tulku Lobsang Rinpoche respondeu: “O medo… o medo é o assassino do coração humano porque com medo é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.”
Mas como enfrentar esse medo? “Com aceitação. O medo é a resistência ao desconhecido, mas devemos aceitar que por vezes o desconhecido é exatamente aquilo que precisamos.”
Ter medo é algo natural quando nos decidimos a mudar. Medo do desconhecido, medo de sair da zona de conforto. Mas serão todos os medos justificados?
Quantas vezes bloqueou no seu percurso de vida? Quantas vezes deixou de fazer determinada coisa por medo? Quantas coisas não disse, por medo?
E de onde vêm estes medos, senão daquilo que pensamos e acreditamos?
Todos nós formamos uma ideia de nós próprios, dos outros e do mundo que nos rodeia.
Essas ideias convertem-se em princípios que regem os nossos pensamentos e ações, a que chamamos crenças.
Assim, as crenças são as ideias e pensamentos que transformamos em “regras” e que orientam as nossas ações. As ações, por sua vez, conduzem a resultados.
Nada na nossa vida vai dar certo, se continuarmos a pensar que vai dar errado.
Quando acreditamos com muita confiança que iremos conseguir ultrapassar determinado obstáculo, ele será mais fácil de ultrapassar e o resultado tenderá a ser positivo. Por outro lado, o contrário também acontece, quando acreditamos com toda a convicção que não vamos conseguir ultrapassar determinado obstáculo ou problema, entrando num processo de autossabotagem e aumentando exponencialmente a probabilidade de falhar na concretização desse objetivo.
As crenças podem ser potenciadoras (alinhadas com valores que ajudam a atingir os objetivos a que nos propomos) ou limitadoras (que inibem as nossas ações).
Não espere ter uma vida diferente, se não pensa diferente.
O que podemos então fazer para desconstruir as crenças limitadoras?
- Conheça-se a si mesma: comece por identificar as crenças que a limitam (ex.: “eu não tenho solução”, “nunca vou conseguir juntar dinheiro”, “não tenho capacidades”)
- Encontre a causa da crença limitante, desta forma vai torná-la consciente
- Do que tenho medo? - Tentar identificar situações quotidianas onde perceba que a sua ação está condicionada pelo medo
- Que custo esse medo/crença tem para mim (presente e futuro)?
- Qual o pior cenário= Imaginar o pior cenário que poderá prever no futuro se continuar a acreditar no que acredita e portanto continuar a agir como age.
- Como seria a minha vida se não tivesse esse medo/crença?
- Aceite a existência destas crenças e assuma uma atitude de mudança (depois de identificar as crenças limitadoras não se sinta desmotivada, pois todos nós temos as nossas ideias e medos! Trabalhe o seu pensamento para promover a mudança, respondendo: “Eu quero mudar esta crença porque…”)
- Troque as crenças limitadoras por crenças fortalecedoras: as palavras que dizemos a nós próprios têm mais poder do que imaginamos!!! Assim é importante ter auto-verbalizações positivas, contrárias ao pensamento produzido (ex: “eu não tenho cura, vou ser sempre ansiosa” substitua por “este estado emocional é passageiro na minha vida, já tive outros momentos idênticos e não duraram para sempre”), escreva-os num papel e repita-os sempre que surgirem os pensamentos “negativos” ou crenças limitadoras
- Transforme as crenças fortalecedoras em hábitos! Um pensamento gera uma emoção que por sua vez produz uma ação/comportamento. Este, quando repetido promove uma rotina que instala o hábito. Lembre-se: Repetição leva ao hábito.
Como têm sido os seus pensamentos nos últimos tempos?